terça-feira, 10 de maio de 2011

Proibição da venda de armas no Brasil - desrespeito ao voto popular

O Sen. Cristovam Buarque apresentou projeto, dando a seguinte redação para a matéria:

“Art. 35. É proibida a comercialização e aquisição de arma de fogo e munição em todo o território nacional, salvo para as entidades previstas no art. 6º desta Lei, nos termos deste artigo.
[...]
§ 4° A aquisição de armas de fogo, munição e acessórios para uso de entidades de desporto, cujas atividades esportivas estejam cadastradas como demandantes de arma de fogo no Sistema Nacional de Armas – Sinarm, somente poderão ser realizadas com autorização e interveniência do Ministério da Justiça, sob jurisdição da Polícia Federal, na forma do regulamento desta Lei."

Em face disto, redigi e enviei a seguinte carta, que posto abaixo em sua íntegra:

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Prezado senhor Senador Cristovam Buarque.


É a presente para manifestar minha decepção pela triste e infeliz proposta
apresentada por V. Excia., que passando por cima de todos os direitos
internacionais e constitucionais, visa impedir o comércio legal de armas em
nosso país, e colocar a atividade desportiva de tiro sob a batuta do
Ministério da Justiça, em claro desmérito ao Exército, que atualmente controla
os CAC (Colecionadores, atiradores e caçadores).


A intenção, sem cortinas, é desarmar completamente o cidadão brasileiro, mais
especificamente, aquele que se sujeita às leis e normas estatais. Como me disse
uma vez um delegado na pequena cidade de Ponte Alta do Tocantins-TO, "só quem
precisa de armas é policial e bandido". E nós, o povo, somos o quê nesta
equação? Somos a caça disponível com a qual os bandidos ganham seu sustento.
Só isso. Sim, porque a polícia serve quase que exclusivamente para ir atrás de
quem já cometeu o crime, se e quando isto for possível. Então nossos bens
servem para sustentar os criminosos, e nossas famílias deverão ficar
disponíveis à eventual benesse de quem invadir nossas casas, ou seja, devemos
torcer para que o camarada queria apenas roubar, e não matar ou estuprar.


Nós cidadãos não temos como pagar seguranças privados para zelar pelos nossos
bens e pela segurança de nossas famílias. Talvez os senhores estejam no poder
a tanto tempo, que não tenham ideia de como a coisa funciona para os cidadãos
comuns, que trabalham o mês inteiro para pagar suas contas e impostos.


Vale lembrar que quem tira o direito de auto-defesa, está na verdade tirando o
direito à vida. É justamente disso que se trata, violação de Direitos Humanos
fundamentais. É lógico que isto jamais passaria em um país sério, mas conheço
o país onde nasci, e me preocupo seriamente por saber que aqui esta proposta
de V. Excia. poderá ser considerada como plausível, e talvez até seja
aprovada.


A democracia deveria servir para que se cumprisse a vontade do povo e
vivêssemos em fraternidade, e não para atribuir poder para que se aja contra o
povo. Não seria este um princípio intrínseco do poder outorgado através do
voto, o legislador positivar a vontade do povo?


Estamos em um país sem memória, mas mesmo assim acredito que V. Excia. deve se
lembrar que houve referendo recente, em que o povo votou pela manutenção do
comércio e fabricação de armas em nosso país. Ou o referendo era apenas uma
manobra para legitimar uma vontade em votação tida como certa, o que acabou
dando errado? Esta é a impressão, nascida quando se viu o reavivamento das
ideias desarmamentistas que ora tomam a mídia, diga-se de passagem, de forma
totalmente oportunista, após uma terrível tragédia promovida por um psicótico
que, diga-se de passagem, não tinha sequer idade para adquirir uma arma de
fogo - o maluco de realengo, ou como quer que o chamem.


Pergunto porque é que os poderes da república não fazem nada contra o comércio
ilegal de armas, justamente aquele que possibilitou a tragédia de realengo. Ao
se atacar apenas o comércio legal, demonstra-se que só os cidadãos de bem
estão sob a mira do legislador, o que é claro prenúncio de que teremos um
regime ditatorial. A história mostra isto de forma inequívoca, e estando em um
país da américa latina, isto não seria surpresa alguma.


Sonho com o dia em que os senadores da república agirão em prol do povo,
especialmente, pela parcela do povo que trabalha e gera as riquezas da nação.
Será que isto ainda acontecerá no Brasil, em minha geração? Sonho com um país
sem corrupção e cujo povo tenha incutido valores de civilidade e cidadania.
Sonho com um país que de forma alguma pudesse ser confundido com o estereótipo
de uma "banana republic". Sou brasileiro, e quero me orgulhar disso. Mais do
que isso: quero que meus filhos se orgulhem desta nação brasileira.


Por todos estes motivos peço que V. Excia. reconsidere sua proposta, deixando
a questão do desarmamento por conta das duras leis já existentes, através das
quais o cidadão já tem que dispender quantias enormes de tempo e dinheiro para
renovar a licença de sua arma, sabendo que a menos que seja um Abílio Diniz,
não terá nenhuma chance de obter um porte.


Estou enviando esta mensagem eletrônica com cópia para entidades e grupos
sérios de defesa dos direitos em pauta, e autorizo desde já a publicação da
mesma, desde que na íntegra, e mencionada a autoria.


Tríplices e fraternais abraços,


Arnaldo Adasz
Pesquisador
http://lattes.cnpq.br/3041889322936680
-=-=-=-

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Moral e ética da nova geração

Minha esposa é professora de ensino fundamental de uma escola particular, cristã, em Araraquara.

Os professores, bem como a maioria dos alunos, pertencem a diversas denominações religiosas cristãs.

Bem, esta semana ela propôs uma questão ética para seus alunos, e ao que parece conseguiu obter um feedback bem sincero de seus alunos, mas as respostas dadas são pra lá de preocupantes.

A questão era a seguinte:

- Você está na fila do caixa do supermercado, quando uma senhora deixa cair uma nota de R$ 50,00. Só você percebe isso. O que você faria? Por quê?

De um conjunto de 30 alunos, estas foram as respostas:

→ Aproximadamente metade dos alunos não devolveriam o dinheiro;

→ Um pouco menos da metade dos alunos devolveriam, só porque era uma senhora. Se fosse qualquer outra pessoa, eles não devolveriam;

→ 7 alunos da classe devolveriam normalmente por ter consciência de que aquele dinheiro não lhes pertence.

Estes são alunos de classe média, criados em uma cidade com o maior índice de desenvolvimento do Brasil (FIRJAM, 2010), e cujos pais tiveram a preocupação de colocar seus filhos em uma escola com princípios cristãos, ou seja, devem ter passado conceitos de boa moral para seus filhos. Fico imaginando, quais seriam os resultados deste mesmo teste no restante de nosso país?

Obs.: Artigo censurado pela minha esposa.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Mortes anunciadas

Triste. Muito triste. Centenas de mortes desnecessárias, ocorridas agora que choveu. Todos sabiam que as enchentes e desmoronamentos ocorreriam, e sabiam aonde, só faltava adicionar água. Até a maioria das vítimas sabia, o que não diminui em nada a dor dos sobreviventes. Está na hora de nossas autoridades pararem de pensar apenas em política, e praticarem ADMINISTRAÇÃO da coisa pública. Afinal, é para isso que são pagos, e é para isso que as imensas fortunas em impostos são arrecadadas.
A questão fundamental é que o nosso sistema não coloca responsabilidade civil e criminal para os responsáveis por este tipo de tragédia. A coisa fica qualificada como incidente natural, força maior, etc et tal. Pura besteira. A administração pública tem pessoal técnico competente, que inclusive informa as autoridades e a população sobre as situações de risco.
Os invasores de loteamentos ilegais em áreas de risco, os bandidos que loteiam terras em encostas de morros, os espertinhos que compram estas terras ilegais achando que estão tendo alguma vantagem (afinal, estão pagando barato por algo que nunca deveria ser vendido), os fiscais que permitem a instalação de moradias nestes locais, as autoridades que simplesmente aceitam isto como "crescimento irregular"...
Estas mortes são crime doloso, que ninguém se engane. A multiplicidade de autores do fato típico não exclue o crime.
Muita gente ainda não morreu, mas trata-se de pura sorte. Muitos morrerão, e isto é mera conseqüência.
Que ninguém se iluda, achando que a tragédia destes dias aqui no Brasil tem a conjuntura de um terremoto, ou outro incidente natural imprevisível: Estamos assistindo apenas a concretização de um ato perfeitamente orquestrado, realizado pelas mãos de homens, e apenas complementado pelas chuvas torrenciais que estão caindo nestes dias.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

romani crucis

O que é isto? "Romanes eunt domus"?
"Povo chamado Romano,
eles ir para casa"
Era suposto dizer,
"Romanos, vão embora".
Não, corrija.
Qual é o latim para Romano?
- Vamos!
- "Romanes"?
- Com?
- "Annus"?
- Plural vocativo de "Annus"?
- "Anni"?
"Ro-ma-ni".
- "Eunt"? O que é "eunt" ?
- Ir.
Conjugue o verbo ir.
"Ire, eo, is, it,
imus, itis, eunt".
Então "eunt" é?
Terceira pessoa do plural,
presente do indicativo, Eles vão.
Mas "Romanos, vão embora" é
uma ordem, por isso deve usar o...
- O imperativo.
- Que é?
Um, oh, oh, "i".
- Quantos Romanos?
- Aah! no plural, claro!
- "Ite".
- "Ite".
- "Domus"?
- Nominativo ?
Vão embora é uma ação, não é?
Dativo!
Não, não é dativo!
Acusativo, acusativo!
- "Domum," senhor. "Ad domum".
- Exceto quando "domus" leva...
- Locativo, senhor.
- Que é?
- "Domum".
- "Domum".
"um".
- Entendeu?
- Sim, senhor.
Agora, escreve isso 100 vezes.
Sim, senhor. Obrigado.
Ave César.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Burdogão

De 1992 ao final de 1997, prestei serviços para um escritório de advocacia em São Paulo-SP, como rábula e programador de computadores.

Comecei programando em Clipper, e quando pretendia migrar para programação visual, foi lançado o Delphi. O PCB, dono do BBS Canalvip, tinha assinaturas da Borland, e na semana do lançamento do Delphi, recebeu os primeiros disquetes de 1,44”, que eu, lógico, copiei. Gostei tanto que acabei comprando todas as versões do Delphi, até 1998, quando parei de programar.

O trabalho como rábula também acabou resultando no Curso de Direito, que cursei com muito gosto.

Mas, de volta ao escritório, lá tinha um programador, muito bom em Clipper, que era carinhosamente chamado de Burdogão. Moreno, muito simpático, e pouco falante, ele sempre andava com uma jaqueta de lã com capuz, que ele mantinha fechada. Sempre. Eu nunca o vi sem aquela jaqueta, nem muito menos com a jaqueta com o ziper aberto.

Além dos serviços do escritório, eu e o Burdogão também fizemos alguns poucos programas para outros clientes, me lembro especialmente de um programa que fizemos para uma fábrica de plásticos, e para um laboratório de fotografias. Geralmente eu fazia o fluxograma e o layout das páginas do programa, e bastava explicar o que pretendia, o danado do Burdogão sempre conseguia fazer o código necessário, e sempre da forma como eu gostava, tudo organizado em objetos.

Em 1998 eu me mudei para Araraquara-SP, e perdi contato com o Burdogão, até que em 2001 eu estava montando minha própria LAN, no escritório que eu estava começando, e estava trabalhando tanto, que não conseguia fazer a programação necessária. Fui até a casa do Burdogão, em Osasco-SP, ninguém sabia dizer a seu respeito, mesmo assim deixei recado. Em menos de uma semana ele me ligou, perguntei se ele estava interessado em trabalhar em Araraquara, e ele apenas me disse que me daria a resposta em alguns dias. Daí em diante não tive mais notícias dele, fui roubado pelos sócios, e acabei perdendo a empresa. Não me preocupei com o Burdogão, porque, afinal de contas, as pessoas normalmente não gostam de mudar para cidades a 300 km de distância de sua casa, para trabalhar.

Assim se passou algum tempo.


Entre 2002 e 2003 eu estava no fundo do poço, em depressão profunda, quando o telefone tocou, na casa de minha sogra, e eu atendi. Era uma mulher, que me disse que era mulher do Burdogão. E eu nem fazia idéia de que o Burdogão tivesse uma mulher.

Esta mulher então começou a me contar que naquele dia estava mexendo nas coisas do Burdogão, e encontrou um número de telefone, ligou sem saber se era eu mesmo, a pessoa com quem ela pretendia falar.

Segundo ela, o Burdogão (não, ela não conhecia ele com este nome, nem eu me lembro o nome correto dele), com quem ela teve uma filha, havia ficado extraordinariamente entusiasmado com meu chamado. Havia contado prá ela, estava já começando a arrumar suas coisas para vir para Araraquara. Passou dois dias bastante animado, contando diversas aventuras que vivemos enquanto fazíamos os softwares, os clientes que atendemos, os problemas que resolvemos, o pouco dinheiro que conseguimos receber, coisas assim. E, no final de dois dias, sofreu um ataque cardíaco fulminante, e morreu.

E foi assim, que eu, no fundo da depressão profunda, tive a notícia da morte do meu amigo, que não retornou a ligação, com a melhor desculpa que alguém já pôde inventar neste mundo.

Triunfo das nulidades

De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra,de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.

(Senado Federal, RJ. Obras Completas, Rui Barbosa. v. 41, t. 3, 1914, p. 86)

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